Eu percebi que grande parte da minha vida foi a espera.
Eu sempre esperei muito, dos outros e de mim. Sempre esperei para viver, para dar um passo maior e esperei que o outro adivinhasse uma dor ou um colo que eu precisava no momento.
E eu esperava, ano por ano, pacientemente.
Esperei por um amor, por ser reconhecida, ouvida…E esperei cada passo que não foi dado porque eu só queria esperar.
E ali eu ficava tranquila e me achava em “paz”.
Ninguém me notava ou me perturbava, então a espera se tornou confortável.
E o ato de esperar se transformou em anos de um silêncio que gritava, mas eu não conseguia ouvir. Um eco que surgia e sumia, mas que me pertencia.
Até que um dia eu realmente me olhei, e não foi para pentear o cabelo ou lavar o rosto. Eu me olhei e não me reconheci.
O que eu achava ser eu, na verdade não era. A partir daquele momento tudo mudou e eu quis me olhar com mais frequência, fiquei curiosa em saber quem era eu.
Quem é ela? O que ela quer? Do que ela gosta?
E a cada dia fui conhecendo mais e mais essa “estranha“, e fomos quebrando o gelo. Às vezes saia até um sorriso natural e um carinho no cabelo.
Hoje eu não vivo mais sem ela!
Ela me tira do sério e da minha zona de conforto, me levantando todos os dias. Algumas vezes mal humorada, mas sempre com energia e carisma, com vontade e entrega, porque ela sabe que não vale a pena esperar.
O coração bate forte e canta numa dança sem fim.

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